sexta-feira, 8 de maio de 2009

No meu tempo...


“Eu fico com a pureza da resposta das crianças
É a vida, é bonita e é bonita...”

     É quase tudo eletrônico e virtual: Amigos, jogos, babás, entretenimento. Cadê os álbuns de figurinhas? Os carrinhos de rolimã nas ladeiras, o bando de moleca que saia pra andar de bicicleta, o vento na cara?      Ninguém mais joga burquinha, nem figurinhas de chicletes. Cadê as brincadeiras dançantes com os passinhos e as lentas? As peladas na rua com golzinho de Havaianas onde vira e mexe tinha neguinho arrancando tampa do dedão. Vigi, que dor!
     Cadê todo mundo que vivia empoleirado nas árvores?  É, cresceram...
     E vêem uma geração que não brinca. Que passa horas jogando em seus micros, que não quebra mais o braço brincando. Doía? Doia muito, mas não morríamos por isso e ainda era o máximo assinar no gesso dos amigos.
     Lembram da campanha do Omo? “Porque se sujar faz bem!” Pois é! Precisamos incentivar essa criançada a fazer coisas de criança, a serem crianças!!
     Elas não têm que ter atitudes de adultos elas não têm discernimento pra escolher e a vida passa tão rápido... Um dia elas simplesmente se darão conta de que não são mais crianças e que perderam oportunidades fantásticas de serem felizes e ainda colocarão a culpa em nós.
     Policiem suas crianças, brinquem. Não tenham “adultinhos” em casa, bitolados em aparatos modernos que não são brinquedos, que não deveriam ser presentes de Natal, que não estimulam o dividir e o relacionamento interpessoal, só divertem.
     E o divertir por divertir, aliena. Leia com eles, Eu fico com vergonha quando leio as barbaridades e a forma como escrevem por aí. Brinquem. Gastem um tempo com eles, Mesmo que isso não seja uma coisa fácil.
    Há crianças que nunca viram uma vaca, nem galinha, muito menos peru. Não tiveram a deliciosa experiência de chupar manga ou jabuticaba trepados no pé... 
     Com quantos anos você teve sua primeira experiência sexual? “Meudeus!” Então!! 
    Sei que elas vão crescer, Achar seus próprios caminhos, assim como nós achamos (ou pensamos que achamos) mas como seria melhor se elas o fizessem de uma forma mais lúdica e com pureza, aquela, que falava o Gonzaguinha.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Veneziana


Da minha janela não tenho a graça do por do sol.
Lá em baixo não passa banda.
Não tem como por travesseirinho pra repousar
Os cotovelos e ficar olhando pra inquietude da vizinhança.
Tem grades que acumulam pó. (ela toda acumula pó)
Passarinho nenhum vem dar o ar da graça.
É, tem dia que é ruim pra abrir, dá uma emperrada de leve
Que não chega a me irritar, mas dá uma perturbação.
Ela não tem sensores e laser exterminador de pernilongos.
Ah! Entra um pouco de vento por ela sim,
Mas não entra luz do sol de manhazinha
Por fresta nenhuma fazendo aqueles filetes de luz amarelo ouro
Onde a gente pode ver quanta coisinha miúda
Fica voando no ar e a gente não percebe.
Não tem como desenhar no vidro quando embaça.
Não tenho como pular, mesmo que eu não tivesse a vergonha
De passar pelo vexame de morrer tão novo.
Vasinho com margarida? Tem jeito não.
Nem de contemplar o esplendor da lua
Mesmo nas noites mais estreladas de inverno.
Não tenho tranças pra jogar, mas até aí a culpa não é dela,
Mas também não teria como jogar mesmo se eu tivesse.
Não é amarelinha, nem azul, nem verde.
Que sem graça! Minha janela não tem poesia nenhuma.

Eu, Etiqueta

Hoje vou postar um texto de Carlos Drummond de Andrade que sempre me faz pensar. Será que somos "homens-anúncio itinerantes" e divulgamos sorridentes, gratuitamente e orgulhosamente as marcas de praticamente tudo que pagamos pra usar?
Sim somos!

Eu, etiqueta
Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, premência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-lo por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer, principalmente.)
E nisto me comprazo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar,
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo de outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Hey Jude T-Mobile

Puts!
Olha o que a T-Mobile fez na Inglaterra pra divulgar a marca.
Numa sacada espetacular convidou muitas, mas muitas pessoas para um evento no dia 30 de abril no Trafalgar Square, no centro de Londres, mas fez um certo mistério sobre o que se tratava.
No dia marcado distribuiram microfones e fezeram um karaokê gigantesco com mais de 13.500 vozes cantando Hey Jude dos Beatles.

Depois vejam este também, foi o evento anterior, uma ação envolvendo dezenas de pessoas dançando no Liverpool Street Station.
http://www.youtube.com/watch?v=exkfGhz-YsU

Leis Básicas.

Uma névoa gelada pairava sobre a cidade perdida no calor. A manhã estava especialmente fria, de uma forma que há muito tempo não se via. Desejou um corpo quente do seu lado e repensou sua vida em 5 minutos, enquanto espreguiçava-se demoradamente, dolorosamente, inconformadamente.
Saiu da cama com a relutância peculiar, apenas um pouco afoita pela eminente explosão da bexiga. Não seria agradável!
Na cozinha preparou rapidamente seu café. Os olhos, vira e mexe, buscando o relógio da parede.
Sabia que estava adiantado, por isso tinha um tempo.
Abriu a geladeira num ato inconsciente e viu que a bandejinha de ovos chegou do mercado e lá ficou plastificada e quase que hermeticamente fechada. Relutante por seu estado de quase atraso, mas sem conseguir se conter, pegou a embalagem para abrí-la e guardá-los na porta da geladeira, afinal era o lugar apropriado e os dois últimos que haviam sobrado da última compra poderiam estar se sentindo sós.
“O tempo urge”, pensou. Lembrou de sua mãe dizendo que somos escravos do relógio e se apressou na lida com a embalagem dos ovos. O plástico era duro de romper, usou a faca suja de geléia de laranja.
Depois de aberta, retirou o primeiro ovo e ao depositá-lo no alto da porta, percebeu que o danado estava rachado, ele se abriu. Claro, Lei de Murphy!
Uma linda cachoeira amarela mesclada com uma outra substância transparente desceu porta abaixo vagarosamente, desesperadoramente, enfurecedoramente, até o chão.
Mas uma sensação de impotência a cobriu e a congelou, só o que pôde fazer foi comprovar a Lei de Newton, enquanto via os hipnóticos pingos dourados se desprenderem de todas as repartições da porta da Consul, tal qual uma cascata de champagne em uma pirâmide de taças de cristal.
Fitou o relógio que também estava amarelado e seus ponteiros começavam a girar numa velocidade fora do comum ao mesmos tempo que iam crescendo.
Girou e cresceu tanto que os ponteiros atingiram os armários, a pia, a mesa e as cadeiras, voou geléia, pão, biscoito, talheres, panelas , caçarolas, cadeiras, fogão, geladeira "pras quinta banda". Tudo isso girando e se misturando à gosma amarela e transparente num balé surreal e incrível que durou a eternidade de 3 segundos.
Depois de se recompor, pegou o celular enfiou na bolsa, trancou a casa e correu pra rua.
O tempo não para!

Estampada

Há uma fera em sua pele.
Ela roda ao sabor dos quatro ventos.
Há outra fera viva em seu peito
remoendo suas ideias e lamentos.

Ela quer fazer brilhar
seus flashes cor de prata.
Ela quer também libertar
a outra fera que lhe é nata.

Mulher estampada
brincos de côco
saia rodada

Ela não se aguenta.
Tem gingado na ponta do pé
é limão, mostarda e pimenta.
Ela quer, ela pode, ela é.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Valmir por ele mesmo.


Tava mexendo no meu orkut e comecei a ler meu perfil, como tem gente que não tem saco pra ler perfil alheio, resolvi colocar o meu texto aqui, pois gostei dele... coloquei lá no meu orkut há algum tempo, já é meio velho, mas como se trata de mim, tá atual.
Acho que é uma breve, porém fiel, definição desse ser aqui.

Abro mão de meus interesses pra fazer coisas para outras pessoas.
Como de tudo, mas não engordo,
Não sou ciumento com meus amigos, adoro vê-los todos juntos e acabo os perdendo pra meus próprios amigos.
Detesto limpar minha casa, mas adoro te-la limpa, louça então.... vixi.
Tenho ideias maravilhosas, mas não coloco nada em prática.
Adoro conversar com quem tem algo a acrescentar.
Adoro rir.
To curtindo pra caramba estar estudando de novo.
Família? Amoooo! (tô péssimo no quesito presença, eu sei, mas tudo tem seu contexto.)
Tenho que tomar mais água.
Sou ansioso.
Pipoca. Huummmm...!!!
Me afasto de gente mal humorada (mau humor é contagioso).
Tô fazendo intensivão pra aprender a dizer “não” e tá funcionando...
Tenho necessidade de ficar sozinho e quando fico quero ter gente ao meu lado, vai entender.
Ouço músicas que a maioria não gosta e me orgulho disso.
Acredito que a distância não nos impede de amar ninguém.
Adoro ler, mas tenho preguiça de começar.
Não sou fã de enlatados americanos (filmes) pois eles divertem.. e como divertem...
Não sei o que é dor de cabeça. (a não ser de gripe)
Não tenho problema com comer algo e dizer: tal coisa não me caiu bem!
Detesto injeção.
Durmo feito uma pedra.
Amo carambola, caju, jabuticaba e manga.
Também adoro tamarindo, mas tira o esmalte dos meus dentes e fica dolorido.
Morro de saudade da minha família.
Coraçãozinho de frango.Que nojo!
Demoro muito pra tomar qualquer decisão e nem por isso tomo a mais acertada.
Desenhos, fotos, imagens me fascinam.
Amo Gorgonzola.
Prefiro vinho seco.
Meu lado infantil toma a maior parte de mim.
Minha memória não é boa.
Eu “viajo” até durante um diálogo.
Quero aprender a tocar algum instrumento musical, nem que seja triângulo.
Não sei cantar, mas canto.
Não compreendo direito depressão.
Sou tímido, mas tenho uma cara de pau que equilibra tudo.
Tenho um monstro guardado em mim, mas ele tá algemado, com mordaça e camisa de força.(Não tente entender isso, nem eu entendo!)
Não só no caso deste perfil, mas na vida, falo o que não devia e omito o que deveria ser dito.
Quem me conhece, que me compre!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Ou isto ou aquilo


Este é um livro de histórias infantis que virou CD, com narração de Paulo Autran.
Nem precisa ser criança pra gostar, afinal são textos de Cecília Meireles.
Caso alguém se interesse tenho em mp3.
Abaixo, um dos poemas que mais gosto, que com a interpretação do ator ficou demais.


A língua do nhem

Havia uma velhinha
que andava aborrecida
pois dava a sua vida
para falar com alguém.
E estava sempre em casa
a boa velhinha
resmungando sozinha:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...
O gato que dormia
no canto da cozinha
escutando a velhinha,
principiou também
a miar nessa língua
e se ela resmungava,
o gatinho a acompanhava:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...
Depois veio o cachorro
da casa da vizinha,
pato, cabra e galinha
de cá, de lá, de além,
e todos aprenderam
a falar noite e dia
naquela melodia
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...
De modo que a velhinha
que muito padecia
por não ter companhia
nem falar com ninguém,
ficou toda contente,
pois mal a boca abria
tudo lhe respondia:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...

sábado, 25 de abril de 2009

Colocando os pingos nos is.

Gente, tem muitas pessoas perguntando se o que eu escrevo aqui, são coisas pela qual estou passando...
Não! Nada a ver! É tudo "variação de cabeça" são textos que eu imagino e transcrevo, nada mais. Isso não é um diário...rsrs
Abraços, beijos e apertos de mão.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Quando se deixa de ser um par.


E agora?
Que eu disse o que não queria e ouvi o que não merecia. O que fazer com as ruínas do castelo de sonhos? E com o olhar que espelha o inútil arrependimento?
E agora?
Que o eterno foi tão breve. Que o ódio tangencia de leve. Que palavras já não mudam nada. Que a mágoa desfez os nós. Que já não há mais respeito. Que tudo já está feito.
E agora que não tem mais jeito?

* Foto de Gerson Rossi