sábado, 27 de novembro de 2010

Amor Antigo


Eu estava guardado no fundo da gaveta, na pasta de fotos, no perfume, na canção chamada de “nossa música”, enfim, num linear de tempo e espaço em que a mais tênue fagulha me faria explodir como um vulcão que dormia esquecido, porém pronto pra devastar novamente sua vida, seu novo romance e macular a sua alva paz.
Não que eu queira isso, mas é assim que as coisas funcionam.
Eu sou o Amor. Só que como meu tempo já passou, agora sou Amor Antigo...e sim, eu sou perigoso.  
Mas nem sempre represento ameaça, algumas vezes me transformo em amizade, em outras desprezo e quase que sempre em algo inacabado que precisa de um desfecho diferente, mesmo que o mesmo, só que pintado de outra cor.
Bom, você sabia onde não ir, onde não mexer, o que não ouvir, com quem não falar...
Mas como você é só esse monte de carne fraca. Deu no que deu.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Asas



Queria estar em todos os lugares e com todo mundo ao mesmo tempo.
Tinha asas de Mercúrio nos pés, mas essas não a tornava um ser alado.
Eram apenas o resultado de uma vontade latente de liberdade contida em sua carne que de tão aguda se fez brotar na forma  das tais.
Ela   queria  estar comigo, mas como fazer pra conciliar com a  ânsia de liberdade?
Entorpecida, um dia despertou de uma sesta e decidiu que tinha asas maiores e partiu chacoalhando as roupas do varal com o mover de suas potentes asas dorsais.

As asinhas dos pés, agora são seu norte e seus anseios a guiam para o encontro de todas as coisas que quer abraçar.
Sim, ela ainda  me visita de quando em quando.
Eu, por ama-la tanto, a recebo com festa todas as vezes que pousa em meu quintal fazendo alarde e me resigno com a dádiva de saber que dentre tantos nessa imensidão de gente sou o escolhido como o que detém o posto de “porto seguro” e onde se aconchega e pra quem conta suas peripécias e desilusões que vem tatuadas em sua pele queimada de aventuras.
Quando parte, eu sonho com ela e suas histórias e me alegro, pois sei que está indo apenas fazer o que na verdade mais busca, que é encontrar motivos pra voltar.




*****  *** ***** *** *****

Este é um post excepcional, pois ganhei a ilustra acima. 
Até aí seria tudo normal, mas esta foi confeccionada especialmente para este  texto.
Pensa numa pessoa que de tão contente estaria abanando o rabinho, se tivesse um.
Eu!

Ilustra do Mário Roberto de Caruaru - PE , meu querido. Segue abaixo mais trabalhos dele.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Faz de conta que é pra sempre


Eu posso sentir a felicidade de nossas vidas juntas,
tal como sinto a pressão de sua mão presa à minha agora.

E aí eu brinco de “Faz de conta que é pra sempre!”
E planejo viagens com você nas próximas férias
e já prevejo que  será divertido, mesmo que tudo de errado.
E vejo nosso filho com minha boca, seu nariz,
meus olhos e seu jeito imperativo e moleque
e entendo o quão ele será divertido e apaixonante.

E aí eu brinco de “Faz de conta que é pra sempre!”
E visualizo um futuro juntos, com a certeza de que esse brilho
em seus olhos reflete minha ternura e a alegria de te ter pra mim.
 E acredito que por toda minha vida
 vou sentir essa alegria  que sinto toda vez
que te vejo vindo, rindo, me querendo e me amando.

Eu brinco de “Faz de conta que é pra sempre!”
E me sinto protegido por sentir seu zelo e seu carinho
e nem me lembro da possibilidade disso tudo ter um fim
logo após eu me virar e despertar.


*** ***** ***

Foto gentilmente  enviada por Ricardo Cosmo de Londrina PR, mais trabalhos do Ricardo no link abaixo:


terça-feira, 24 de agosto de 2010

Retratos



O dia amanheceu com um cheirinho novo, porém com nuances já conhecidas por muito naquela manhã de sábado.
O “acampamento” foi montado bem no meio de um canteiro no antigo “shopping azul” e mal sabíamos das aventuras que teríamos a seguir.
Os primeiro dias de captação de imagens para o curta “Retratos” de Bia Leles, foram debaixo de um sol forte e um  céu azul, lindo que nos proporcionaram  marcas de camisetas e imagens que superaram expectativas.
O legal foi que passar tantas horas no meio de uma praça com um fluxo tão grande de moradores de rua, transeuntes, “solícitos”, artistas, cantores de rap e curiosos, pode crer que serviu pra nos abrir os olhos pra uma realidade que quem passa rapidinho não imagina. Isso não tem preço e fica meio que como uma sementinha. 
Como isso vai germinar na cabeça de cada um é um mistério.
Mas dentre outras coisa, já descobrimos que alguns moradores de rua tem celular e falam horrores.  
Que somos todos um bando de viados e sapatões (um atrás do outro, mesmo quem é casado).
Que nossa equipe adora banana e que a casca também é comestível. Fita adesiva também.
Que comer marmitex na praça sentadinho no chão não mata ninguém e nem é tão ruim assim...
Protagonistas são deliciosos.
Causamos vergonha de ser brasileiro em algumas pessoas. Aff!
Violão é uma coisa que relaxa a gente! 
Figurante não é uma coisa fácil de se arrumar.
Margarida é retrô e não se acha mais. Aliás, a Saga em Busca da Margarida Perdida pelo visto terá capítulos sensacionais durante os próximos dias.
Insanidades à parte, sempre estávamos, ora esperando o fim da captação com os balões com gás hélio só pra fazer voz fininha, ora tentando fazer um transeunte ou outro circular, pois queriam fazer parte do elenco, da produção ou da atmosfera divertida.
Enfim, fazer cinema sem incentivo, sem dinheiro, só com a cara e a coragem da trabalho,  mas êêêh, coisa boa!
Ver o filme surgindo a cada captação, cada detalhe discutido, cada insegurança sendo superada já é pagamento que nos dá a sensação de estarmos devendo troco.

*****   ***   *****

Foto do Fotógrafo Luiz Aureo. 


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Roletatividade.



Você me deu a mão e saímos correndo e gritando pra pegar impulso.
Acreditamos na capacidade de nossas asas e alçamos vôo.
Como pássaros brincamos de “ser livres”.
Te levei a lugares onde você nunca havia visitado e te mostrei o meu mundo.
Você se deu o direito de ficar doente de paixão e se mostrou sem medo.
Pedi para que não mentisse. Ou que mentisse, se isso fosse conveniente.
Liberto de pudores te aceitei.
Conheci seus mais “pejoráveis” adjetivos e até me apaixonei por alguns deles.
Te conduzi numa dança só minha e você se soltou. Não se importou com os olhares desejosos, ciumentos, invejosos e desdenhosos.
Fomos nós mesmos, como lhe propus e vivemos intensamente aquele efêmero instante.
Mas... a magia acabou quando sem a aura do tesão, vi tudo aquilo sujo, feio e profano que se esparramava e gritava à minha frente.
Você assim, se tornou "mais um".
Eu te ligo.
Próximo!

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Ilustra gentilmente cedida pelo meu xará Walmir Orlandeli

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Quero ser um pouquinho seu.



Quero ser um pouquinho seu.

É... Sem a pretensão de ser por toda a vida de uma estrela.

Não quero desvendar seus mistérios. 

Suas feiúras não me interessam, 

aquelas que se percebem com o tempo... 

Muito menos as sua nuances adoráveis, 

Essas, podem ser difíceis de esquecer e de ficar sem. 

Então, melhor mesmo é nem saber que elas existem.



Quero ser um pouquinho seu.

Não é por muito tempo não... 

Só mesmo pelo tempo suficiente pra ter saudade depois. 

Não quero que veja o quanto sou mau, 

fedido, mau-humorado e egoísta.

Quero somente que conheça o quanto sou meigo, 

romântico e carinhoso. 

Como me visto bem e o quanto sou gentil.



Quero ser um pouquinho seu.

Esta florzinha que te dou agora tem seu tempo.

E não precisamos

muito mais que isso:

sermos um do outro. 

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Foto "furtada" da Mona Luizon


quinta-feira, 17 de junho de 2010

O Balão Amarelo.

Depois de esperar meia hora pela “próxima brisa”, lá se foi meu balão amarelo a experimentar a liberdade de voar. Tinha desenhado uma carinha feliz e preso a ele bailava uma fita azul.

De lá de cima, beijando as nuvens e se requebrando ao sabor do vento, deu bom dia às sementes de dentes de leão, às pipas desafiadoras e brincou de flutuar com urubus graciosos.

Passou por mim tão contente que ao me girar rápido ainda consegui ouvi seu riso, mesmo de longe.

A favor do vento, rodopiou e se encheu de perfumes que eu não conheço.

Viu a Terra com cores e tons que eu não imaginava existir.

Me contou que teve medo, mas foi levado carinhosamente por milhões de mãos a mergulhar num céu que não era de brigadeiro, mas era digno de qualquer autoridade.

Abraçado pelo calor quente de uma tarde de sol, com a claridade que não ofusca nada e sim, torna nítida cada cor e toda forma, quase viu as verdades escondidas por trás das súplicas que subiam aos santos, os quais acenavam e o desejavam “boa viagem!”.

Seguiu seu itinerário, rio e se divertiu com as amizades que fez e com tudo que conheceu e aprendeu.

Mas como um pirulito a aventura teve fim.

Ele voltou. Me contou essas e muitas outras peripécias e me incumbiu de retransmiti-las.

E agora, cá estou eu.

Prazer! Sucursal de quem vive e sabe viver.

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Foto roubada descaradamente de Gerson Rossi. rsrs



sábado, 22 de maio de 2010

Supercine.

Sei lá. Tem dia que a gente não quer nada.

Mas talvez um colinho.

Um beijo nos olhos.

Uma canção murmurada no ouvido.

Tá, to carente!

Vou comprar um cachorro.

Pelo menos ele me lambe.

oooooO0Oooooo

Foto delicadamente furtada de Gustavo Lopes Castro. http://www.flickr.com/photos/lopescastro/


quinta-feira, 13 de maio de 2010

Ctrl C / Ctrl V dos Dragões - Compras.

madeira. diz:

*VÁÁÁUUUOOOOOOO

=)....Valmir(8) diz:

*nhoooooooooooooo

*bom dia

*to sodade de voceeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee

*voltaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

madeira. diz:

*to voltandoooo jaja...

*sonhei com vc essa noite

*NUNCA PASSEI TANTA RAIVA NUM SONHO SÓ

=)....Valmir(8) diz:

*hhuhauhauha

madeira. diz:

*a gnt tava no riopretoshopping pra comprar umas coisas pq ia ter rango no FHHHEEERR...

=)....Valmir(8) diz:

*hmm

*:P

madeira. diz:

*eu todo preocupado em saber as coisas que precisavam, pq o Fer tinha passado a lista pra vc

*e vc tava UMA DESGRAÇA DUM MULEQUINHO DE 4/7 ANOS

=)....Valmir(8) diz:

*ixi já to imaginando....

madeira. diz:

*saia correndo

*se escondia de mim

*fazia eu encher o carrinho com umas coisa nada a ver...

=)....Valmir(8) diz:

*huahuahaa

*ce num me bateu?

*aa mas eu batia tanto!!!

madeira. diz:

*não te alcançava...

=)....Valmir(8) diz:

*é q comprei tênis novo....

*por isso!

madeira. diz:

*aaihh, comprei 4 jeans novos.. agora preciso de outro tênis

*só tenho o vermelhinho. tadinho di eu

=)....Valmir(8) diz:

*comprou 4 tênis e ta só com o vermelhinho? (!!!)

*aaaaaaaaaaaaaaah “dins”

*li errado..

* té parece....só o vermelhinho...

*confundi pq também acaba com "s"

*leitura dinâmica às vezes é phoda!

madeira. diz:

*,

*,

*,

=)....Valmir(8) diz:

*?

madeira. diz:

*DERRUBEI LEITE NO “TECRADO”

=)....Valmir(8) diz:

*aff

madeira. diz:

*tudo grudandoooo



sexta-feira, 7 de maio de 2010

O Tempo.

Ei-lo. Vê?

Não?

Mas ele te vê.

Ele te arrasta.

A você, a mim e a todos.

Sutilmente a ponto de não percebermos seus braços e dedos carinhosos e macios a nos direcionar à frente, sempre à frente, ao fim, mas ao mesmo tempo a novos inícios.

Umas vezes nosso amigo, outras nosso algoz, como uma avalanche de tudo que é existente lá vai ele em sua trajetória pela eternidade.

Revolvendo, apagando, destruindo e muitas vezes

trazendo à tona tudo o que já existiu.

Segredos, glórias, derrotas, desejos, mártires, crueldades, cobiças, amores.

Vai levando peças do passado e juntando com as do presente e logo ali,

transformando em algo “novo”.

Como parasita cravada em suas costas, sugando toda e qualquer possibilidade de desenterrar e nos trazer emolduradas qualquer migalha de algo que já se foi, está a Saudade.

Esta, procuro te-la como amiga. Mas aí, cada um, cada um.

E cada dia, um dia.

E cada madrugada também.

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Roubei essa foto da Bia Lelles. http://www.flickr.com/photos/bialelles/

Bia, perdão e obrigado! srrs.