quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Quanto?



Oi... Olha... é... Desculpa se eu menti quando disse que seria seu pra sempre?
É que esse lance de me dividir com alguém eu não assimilo muito bem não. Sabe?
É...acho que  menti sim quando disse que eu era seu.
E ainda mais pra sempre. Vishi! Pra sempre é muito tempo.
Eu até acreditava que dizia a verdade, mas as coisas não são bem assim.
Eu sou só meu e você é só seu e ninguém é de ninguém. Essa é a máxima.
Eu até poderia ser seu até aqui ó. Daqui pra lá... Bom, daqui pra lá eu sou só meu e ninguém tasca.
Pra falar a verdade eu não estou muito satisfeito com o pedaço de você que você  me deu. Acho que eu até que merecia mais...
Sabe como é, quando se trata de o que me é oferecido sou ganancioso, quero mais, muito mais. É da minha criação.
Só que eu dou de mim o tanto que eu quiser e o tanto que eu achar que a pessoa merece.
Vai do dia, do humor, do tanto de você que você me dá.
Tem dia que me dou mais que a quota estimada, mas aí é por minha conta e risco, faço uma graça, se é que podemos dizer assim. Jogo verde pra ver se ganho uns pedacinhos seus a mais.
Na verdade é tudo um jogo.
Eu sei que você acha que o tanto que eu te dou de mim é insuficiente. Pode até ser.
Mas cada um tem o tanto de mim que eu acho que merece. E pelas minhas regras não é todo mundo que sabe jogar não.
Eu ainda não sei bem quem perde ou se alguém ganha, mas isso pra mim não importa.
Agora você me dá licença que vou ali brincar sozinho de ser de alguém.

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Foto gentilmente cedida por Eduado R. Maciel lá de Porto Alegre.
As fotos dele são incríveis! 
Para ver mais trabalhos visite o blog http://durmaciel.com/ 

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Cutâneo.


Dentro de sua boca pulsava um músculo resignado que batia por carma e não por vontade de viver.
Abriu lentamente os olhos e focando-o, viu-a com seus cabelos cheirosos, respirando profundamente sob o edredom.
A luz amarelada que entrou pela janela e que mudou a tonalidade da parede e dos móveis denunciava que o dia havia se libertado da noite.
O sol porém, não levou o frio, o  que não impediu que ele se percebesse suado.
A empurrou para longe de si sem ser rude e foi fumar na janela, olhando o trânsito que começava a escorrer pelas ruas frenéticas.
Estava atônito. Sentiu fome. Bebeu o misto de whisky e água que restara no fundo do copo.
Se voltou à cama e a viu sob a luz da janela tatuando seus contornos e saliências, sem lhe despertar qualquer emoção.
Quem era ela? De onde viera? O que ele estava fazendo ali com alguém que não significava nada?
Acordou-a, pediu que se vestisse e a ajudou com a tarefa de modo carinhoso e meigo. 
Ela sonolenta, consentiu e saiu tentando não pisar em nenhuma garrafa, copo, cinzeiro ou qualquer roupa ou objeto espalhado pelo chão do quarto barato do hotel onde estavam. Ela cerrou a porta insinuando um sorriso doce onde se lia: “te vejo em breve”.
Seus passos se perderam pelo longo corredor até que se ouviu o ruído do elevador.
Foi ao banheiro. Se encarou no espelho por um tempo suficiente pra pensar em sua vida, contou os fio brancos, avaliou seu porte físico e insatisfeito com tudo voltou à janela. Fechou um pouco a cortina e cheirou o que restara da noitada.
Que hora seria aquela? Ligou o celular pra saber e várias mensagens e chamadas perdidas pularam em sua tela.
Selecionou a última chamada sem se importar em verificar nenhuma e após alguns instantes de reflexão, chamou.
Uma voz masculina, num tom que fundia melancolia, indignação, carinho e alívio  perguntou:
“Amor, de novo? Onde você tá?“
“Oi, querido. Já to indo pra casa. Passo e compro pão?”

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Mais uma vez o Mário Roberto de Caruaru - PE me salvando com seus trampos gráficos.
 Segue abaixo mais trabalhos dele.


sábado, 27 de novembro de 2010

Amor Antigo


Eu estava guardado no fundo da gaveta, na pasta de fotos, no perfume, na canção chamada de “nossa música”, enfim, num linear de tempo e espaço em que a mais tênue fagulha me faria explodir como um vulcão que dormia esquecido, porém pronto pra devastar novamente sua vida, seu novo romance e macular a sua alva paz.
Não que eu queira isso, mas é assim que as coisas funcionam.
Eu sou o Amor. Só que como meu tempo já passou, agora sou Amor Antigo...e sim, eu sou perigoso.  
Mas nem sempre represento ameaça, algumas vezes me transformo em amizade, em outras desprezo e quase que sempre em algo inacabado que precisa de um desfecho diferente, mesmo que o mesmo, só que pintado de outra cor.
Bom, você sabia onde não ir, onde não mexer, o que não ouvir, com quem não falar...
Mas como você é só esse monte de carne fraca. Deu no que deu.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Asas



Queria estar em todos os lugares e com todo mundo ao mesmo tempo.
Tinha asas de Mercúrio nos pés, mas essas não a tornava um ser alado.
Eram apenas o resultado de uma vontade latente de liberdade contida em sua carne que de tão aguda se fez brotar na forma  das tais.
Ela   queria  estar comigo, mas como fazer pra conciliar com a  ânsia de liberdade?
Entorpecida, um dia despertou de uma sesta e decidiu que tinha asas maiores e partiu chacoalhando as roupas do varal com o mover de suas potentes asas dorsais.

As asinhas dos pés, agora são seu norte e seus anseios a guiam para o encontro de todas as coisas que quer abraçar.
Sim, ela ainda  me visita de quando em quando.
Eu, por ama-la tanto, a recebo com festa todas as vezes que pousa em meu quintal fazendo alarde e me resigno com a dádiva de saber que dentre tantos nessa imensidão de gente sou o escolhido como o que detém o posto de “porto seguro” e onde se aconchega e pra quem conta suas peripécias e desilusões que vem tatuadas em sua pele queimada de aventuras.
Quando parte, eu sonho com ela e suas histórias e me alegro, pois sei que está indo apenas fazer o que na verdade mais busca, que é encontrar motivos pra voltar.




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Este é um post excepcional, pois ganhei a ilustra acima. 
Até aí seria tudo normal, mas esta foi confeccionada especialmente para este  texto.
Pensa numa pessoa que de tão contente estaria abanando o rabinho, se tivesse um.
Eu!

Ilustra do Mário Roberto de Caruaru - PE , meu querido. Segue abaixo mais trabalhos dele.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Faz de conta que é pra sempre


Eu posso sentir a felicidade de nossas vidas juntas,
tal como sinto a pressão de sua mão presa à minha agora.

E aí eu brinco de “Faz de conta que é pra sempre!”
E planejo viagens com você nas próximas férias
e já prevejo que  será divertido, mesmo que tudo de errado.
E vejo nosso filho com minha boca, seu nariz,
meus olhos e seu jeito imperativo e moleque
e entendo o quão ele será divertido e apaixonante.

E aí eu brinco de “Faz de conta que é pra sempre!”
E visualizo um futuro juntos, com a certeza de que esse brilho
em seus olhos reflete minha ternura e a alegria de te ter pra mim.
 E acredito que por toda minha vida
 vou sentir essa alegria  que sinto toda vez
que te vejo vindo, rindo, me querendo e me amando.

Eu brinco de “Faz de conta que é pra sempre!”
E me sinto protegido por sentir seu zelo e seu carinho
e nem me lembro da possibilidade disso tudo ter um fim
logo após eu me virar e despertar.


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Foto gentilmente  enviada por Ricardo Cosmo de Londrina PR, mais trabalhos do Ricardo no link abaixo:


terça-feira, 24 de agosto de 2010

Retratos



O dia amanheceu com um cheirinho novo, porém com nuances já conhecidas por muito naquela manhã de sábado.
O “acampamento” foi montado bem no meio de um canteiro no antigo “shopping azul” e mal sabíamos das aventuras que teríamos a seguir.
Os primeiro dias de captação de imagens para o curta “Retratos” de Bia Leles, foram debaixo de um sol forte e um  céu azul, lindo que nos proporcionaram  marcas de camisetas e imagens que superaram expectativas.
O legal foi que passar tantas horas no meio de uma praça com um fluxo tão grande de moradores de rua, transeuntes, “solícitos”, artistas, cantores de rap e curiosos, pode crer que serviu pra nos abrir os olhos pra uma realidade que quem passa rapidinho não imagina. Isso não tem preço e fica meio que como uma sementinha. 
Como isso vai germinar na cabeça de cada um é um mistério.
Mas dentre outras coisa, já descobrimos que alguns moradores de rua tem celular e falam horrores.  
Que somos todos um bando de viados e sapatões (um atrás do outro, mesmo quem é casado).
Que nossa equipe adora banana e que a casca também é comestível. Fita adesiva também.
Que comer marmitex na praça sentadinho no chão não mata ninguém e nem é tão ruim assim...
Protagonistas são deliciosos.
Causamos vergonha de ser brasileiro em algumas pessoas. Aff!
Violão é uma coisa que relaxa a gente! 
Figurante não é uma coisa fácil de se arrumar.
Margarida é retrô e não se acha mais. Aliás, a Saga em Busca da Margarida Perdida pelo visto terá capítulos sensacionais durante os próximos dias.
Insanidades à parte, sempre estávamos, ora esperando o fim da captação com os balões com gás hélio só pra fazer voz fininha, ora tentando fazer um transeunte ou outro circular, pois queriam fazer parte do elenco, da produção ou da atmosfera divertida.
Enfim, fazer cinema sem incentivo, sem dinheiro, só com a cara e a coragem da trabalho,  mas êêêh, coisa boa!
Ver o filme surgindo a cada captação, cada detalhe discutido, cada insegurança sendo superada já é pagamento que nos dá a sensação de estarmos devendo troco.

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Foto do Fotógrafo Luiz Aureo. 


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Roletatividade.



Você me deu a mão e saímos correndo e gritando pra pegar impulso.
Acreditamos na capacidade de nossas asas e alçamos vôo.
Como pássaros brincamos de “ser livres”.
Te levei a lugares onde você nunca havia visitado e te mostrei o meu mundo.
Você se deu o direito de ficar doente de paixão e se mostrou sem medo.
Pedi para que não mentisse. Ou que mentisse, se isso fosse conveniente.
Liberto de pudores te aceitei.
Conheci seus mais “pejoráveis” adjetivos e até me apaixonei por alguns deles.
Te conduzi numa dança só minha e você se soltou. Não se importou com os olhares desejosos, ciumentos, invejosos e desdenhosos.
Fomos nós mesmos, como lhe propus e vivemos intensamente aquele efêmero instante.
Mas... a magia acabou quando sem a aura do tesão, vi tudo aquilo sujo, feio e profano que se esparramava e gritava à minha frente.
Você assim, se tornou "mais um".
Eu te ligo.
Próximo!

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Ilustra gentilmente cedida pelo meu xará Walmir Orlandeli

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Quero ser um pouquinho seu.



Quero ser um pouquinho seu.

É... Sem a pretensão de ser por toda a vida de uma estrela.

Não quero desvendar seus mistérios. 

Suas feiúras não me interessam, 

aquelas que se percebem com o tempo... 

Muito menos as sua nuances adoráveis, 

Essas, podem ser difíceis de esquecer e de ficar sem. 

Então, melhor mesmo é nem saber que elas existem.



Quero ser um pouquinho seu.

Não é por muito tempo não... 

Só mesmo pelo tempo suficiente pra ter saudade depois. 

Não quero que veja o quanto sou mau, 

fedido, mau-humorado e egoísta.

Quero somente que conheça o quanto sou meigo, 

romântico e carinhoso. 

Como me visto bem e o quanto sou gentil.



Quero ser um pouquinho seu.

Esta florzinha que te dou agora tem seu tempo.

E não precisamos

muito mais que isso:

sermos um do outro. 

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Foto "furtada" da Mona Luizon


quinta-feira, 17 de junho de 2010

O Balão Amarelo.

Depois de esperar meia hora pela “próxima brisa”, lá se foi meu balão amarelo a experimentar a liberdade de voar. Tinha desenhado uma carinha feliz e preso a ele bailava uma fita azul.

De lá de cima, beijando as nuvens e se requebrando ao sabor do vento, deu bom dia às sementes de dentes de leão, às pipas desafiadoras e brincou de flutuar com urubus graciosos.

Passou por mim tão contente que ao me girar rápido ainda consegui ouvi seu riso, mesmo de longe.

A favor do vento, rodopiou e se encheu de perfumes que eu não conheço.

Viu a Terra com cores e tons que eu não imaginava existir.

Me contou que teve medo, mas foi levado carinhosamente por milhões de mãos a mergulhar num céu que não era de brigadeiro, mas era digno de qualquer autoridade.

Abraçado pelo calor quente de uma tarde de sol, com a claridade que não ofusca nada e sim, torna nítida cada cor e toda forma, quase viu as verdades escondidas por trás das súplicas que subiam aos santos, os quais acenavam e o desejavam “boa viagem!”.

Seguiu seu itinerário, rio e se divertiu com as amizades que fez e com tudo que conheceu e aprendeu.

Mas como um pirulito a aventura teve fim.

Ele voltou. Me contou essas e muitas outras peripécias e me incumbiu de retransmiti-las.

E agora, cá estou eu.

Prazer! Sucursal de quem vive e sabe viver.

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Foto roubada descaradamente de Gerson Rossi. rsrs



sábado, 22 de maio de 2010

Supercine.

Sei lá. Tem dia que a gente não quer nada.

Mas talvez um colinho.

Um beijo nos olhos.

Uma canção murmurada no ouvido.

Tá, to carente!

Vou comprar um cachorro.

Pelo menos ele me lambe.

oooooO0Oooooo

Foto delicadamente furtada de Gustavo Lopes Castro. http://www.flickr.com/photos/lopescastro/