sábado, 27 de agosto de 2011

Partida



E chega a hora de ir embora. Vejo as luzes dos postes da larga avenida vazia passando.
Passam sem pressa e eu já hipnotizado, mas não por elas, nem percebo  a música que ouço.
Caminho de casa? Nem sei, mas o carro vai sozinho.
Neste momento o querer briga com o a real necessidade de voltar à rotina da vida.
E isso todos sabem que não é uma coisa fácil.
Sair do conforto do acalanto é por vezes um nascimento, com toda sua dor e luz que ele traz.
Com vontade avessa à que tenho de ir, imagino a volta e toda a delícia que ela guarda.
Respirar agora é diferente: é só pra sobreviver.
De tudo resta a fadiga, mas esta é um retrato colorido em 3D e com cheiro do que posso chamar de muito bom.
E o muito bom não depende de mim nem de você, mas do que fazemos com o que já tem um enorme potencial.
Carrego comigo a lembrança de você contrastando com o lençol, do beijo que achei que seria mais um e se revelou relevante, do abraço forte que me fez menino e do olhar que me falou mais do que todas as bobagens que te disse.

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E esta foto linda aí de cima é da fotógrafa riopretense. Nathy Silva.


Mais fotos da Nathy AQUI

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A Dívida.




Eu, romântico incorrigível, tinha pra mim que precisava da "bonita" mais que tudo nessa vida.
Agarrei fé no santo casamenteiro e clamei com vela acesa, joelho no chão e mãos apertadas num gesto de súplica...
No dia  em que passou a ser o primeiro dia do resto de minha vida ela usava o perfume que me enfeitiçava, o esmalte clarinho que amo e pra ferrar com tudo passou com a amiga cantarolando a canção que logo iria se tornar a “nossa música”.
Me endividei com o santo, mas nem precisava. Depois soube que  ela, travessa que é, fez tudo de propósito: o encontro, a fita no cabelo, a tatuagem à mostra e o sorriso de canto só na hora que eu já quase não o percebia ao passar por mim.
Sacanagem ! É natural que iria ficar doente de amor. 
É, mas agora to endividado com o santo à toa né?
Tudo bem que ela tá na minha  há 2 anos, sete meses e oito dias, mas é o mesmo tempo que este viciado que vos dirige a palavra tá  sem tomar Coca Cola.  
Mas ta acabando. Três anos voa...
Tá, é mentira! 

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Foto delicadamente surrupiada de Nathalie Gingold  

Proteção



Seu leite com chocolate já ta no microondas.
Levanta. O dia grita por nós e esse chamado a gente não pode ignorar. É um sina. Tem um infinito azul esperando por nós depois deste cobertor vermelho.
Eu sei... Eu sei que o mundo é uma tempestade eterna e encará-la da medo...
Mas toma minha mão. Não é muita coisa, mas eu aperto forte na hora do pavor.
Se tudo estiver muito ruim, pra você sentir que não está sozinho,  lembra da canção que cantei baixinho no seu ouvido. 
Assim, vai lembrar que como uma onda que vai e vem, estarei pensando em você hora sim, hora não, mas uma coisa será constante: minha espera por sua volta.
Toma. Leva um beijo e segura nele com força quando sentir saudades. O teu já tá aqui dentro.
Agora vai.

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Foto by minha pessoa mesmo. =] 

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Se enamora.


Quando alguém passa a mão em frente seu rosto e você volta daquele mundo que só você sabe onde era.
Se alguns trechos de músicas descrevem exatamente sua atual fase de vida.
Se quando você acorda a primeira coisa que se lembra é ele.
Se você se imagina fazendo as maiores peripécias pra impressioná-lo (e graças a Deus não tem coragem).
Se você já foi ver se o seu de ar combina com o dele de terra e viu que não, mas que o ascendente sim.
Se você se produziu, ta se achando incrível e queria muito que ele te visse.
Mandou mensagem de boa noite, já mandou de bom dia e ta em desespero aguardando resposta.
Não vê defeito quase que nenhum e os que vê, acha perfeitamente suportáveis ou que com o tempo você vai educá-lo e tudo será perfeito.
Perde muito tempo vendo as fotos dele do Facebook, mesmo já tendo copiado a maioria pra uma pastinha no seu note.
Não entende umas coisas que ele diz, mas balança a cabeça como se tivesse assimilado tudo e o acha o cara mais inteligente que já te deu graça em toda sua vida.
Já juntou seus sobre nomes pra ver como ficam juntos.
Não marca nada com ninguém sem antes saber se haverá programação com ele.
Enfim, se você é uma ilha cercada dele por todos os lados.
Sinto muito, você não cumpriu a promessa que fez de nunca mais se apaixonar por alguém.
E se a sorte lhe sorrir, amém.
Se não, você jura de pés juntos que nunca mais confiará e amará alguém novamente e depois quebra a promessa de novo se for preciso. Que que tem?


"Roubei" essa ilustra do Mário Roberto de Caruaru - PE  que agora ta morando mais pertinho , no ABC Paulista.
 Segue abaixo mais trabalhos dele.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Pífia


Chega fora de hora com cara de quem não quer nada.
Vejo seus ralos pelos contra a luz e a aura dourada que brilha marcando sua silueta me remete a algo tão sagrado que quase chego a ouvir Bach.
Me observa ora de frente, ora de canto de olho, com um sorriso martelado na cara que me desconcerta.
Não entendo o motivo da graça, mas permaneço ali à disposição.
Ri de minha falta de jeito e com seu silêncio cínico, me faz enredar em meu próprio embaraço quando disparo a tagarelar coisas desconexas na tentativa de nem sei o quê.
Perdida nesse transe, me coage e me permito ser o que me ordena sem palavra alguma sair de sua boca. 
Por fim, cálido, me beija e carinhosamente me chama de vadia.
Vilipendiada, humilhada e feliz, finjo que adormeço e o ouço ir embora com a promessa intrínseca de uma  volta e com a súplica por minha espera.

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A foto acima é minha. 

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Quanto?



Oi... Olha... é... Desculpa se eu menti quando disse que seria seu pra sempre?
É que esse lance de me dividir com alguém eu não assimilo muito bem não. Sabe?
É...acho que  menti sim quando disse que eu era seu.
E ainda mais pra sempre. Vishi! Pra sempre é muito tempo.
Eu até acreditava que dizia a verdade, mas as coisas não são bem assim.
Eu sou só meu e você é só seu e ninguém é de ninguém. Essa é a máxima.
Eu até poderia ser seu até aqui ó. Daqui pra lá... Bom, daqui pra lá eu sou só meu e ninguém tasca.
Pra falar a verdade eu não estou muito satisfeito com o pedaço de você que você  me deu. Acho que eu até que merecia mais...
Sabe como é, quando se trata de o que me é oferecido sou ganancioso, quero mais, muito mais. É da minha criação.
Só que eu dou de mim o tanto que eu quiser e o tanto que eu achar que a pessoa merece.
Vai do dia, do humor, do tanto de você que você me dá.
Tem dia que me dou mais que a quota estimada, mas aí é por minha conta e risco, faço uma graça, se é que podemos dizer assim. Jogo verde pra ver se ganho uns pedacinhos seus a mais.
Na verdade é tudo um jogo.
Eu sei que você acha que o tanto que eu te dou de mim é insuficiente. Pode até ser.
Mas cada um tem o tanto de mim que eu acho que merece. E pelas minhas regras não é todo mundo que sabe jogar não.
Eu ainda não sei bem quem perde ou se alguém ganha, mas isso pra mim não importa.
Agora você me dá licença que vou ali brincar sozinho de ser de alguém.

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Foto gentilmente cedida por Eduado R. Maciel lá de Porto Alegre.
As fotos dele são incríveis! 
Para ver mais trabalhos visite o blog http://durmaciel.com/ 

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Cutâneo.


Dentro de sua boca pulsava um músculo resignado que batia por carma e não por vontade de viver.
Abriu lentamente os olhos e focando-o, viu-a com seus cabelos cheirosos, respirando profundamente sob o edredom.
A luz amarelada que entrou pela janela e que mudou a tonalidade da parede e dos móveis denunciava que o dia havia se libertado da noite.
O sol porém, não levou o frio, o  que não impediu que ele se percebesse suado.
A empurrou para longe de si sem ser rude e foi fumar na janela, olhando o trânsito que começava a escorrer pelas ruas frenéticas.
Estava atônito. Sentiu fome. Bebeu o misto de whisky e água que restara no fundo do copo.
Se voltou à cama e a viu sob a luz da janela tatuando seus contornos e saliências, sem lhe despertar qualquer emoção.
Quem era ela? De onde viera? O que ele estava fazendo ali com alguém que não significava nada?
Acordou-a, pediu que se vestisse e a ajudou com a tarefa de modo carinhoso e meigo. 
Ela sonolenta, consentiu e saiu tentando não pisar em nenhuma garrafa, copo, cinzeiro ou qualquer roupa ou objeto espalhado pelo chão do quarto barato do hotel onde estavam. Ela cerrou a porta insinuando um sorriso doce onde se lia: “te vejo em breve”.
Seus passos se perderam pelo longo corredor até que se ouviu o ruído do elevador.
Foi ao banheiro. Se encarou no espelho por um tempo suficiente pra pensar em sua vida, contou os fio brancos, avaliou seu porte físico e insatisfeito com tudo voltou à janela. Fechou um pouco a cortina e cheirou o que restara da noitada.
Que hora seria aquela? Ligou o celular pra saber e várias mensagens e chamadas perdidas pularam em sua tela.
Selecionou a última chamada sem se importar em verificar nenhuma e após alguns instantes de reflexão, chamou.
Uma voz masculina, num tom que fundia melancolia, indignação, carinho e alívio  perguntou:
“Amor, de novo? Onde você tá?“
“Oi, querido. Já to indo pra casa. Passo e compro pão?”

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Mais uma vez o Mário Roberto de Caruaru - PE me salvando com seus trampos gráficos.
 Segue abaixo mais trabalhos dele.


sábado, 27 de novembro de 2010

Amor Antigo


Eu estava guardado no fundo da gaveta, na pasta de fotos, no perfume, na canção chamada de “nossa música”, enfim, num linear de tempo e espaço em que a mais tênue fagulha me faria explodir como um vulcão que dormia esquecido, porém pronto pra devastar novamente sua vida, seu novo romance e macular a sua alva paz.
Não que eu queira isso, mas é assim que as coisas funcionam.
Eu sou o Amor. Só que como meu tempo já passou, agora sou Amor Antigo...e sim, eu sou perigoso.  
Mas nem sempre represento ameaça, algumas vezes me transformo em amizade, em outras desprezo e quase que sempre em algo inacabado que precisa de um desfecho diferente, mesmo que o mesmo, só que pintado de outra cor.
Bom, você sabia onde não ir, onde não mexer, o que não ouvir, com quem não falar...
Mas como você é só esse monte de carne fraca. Deu no que deu.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Asas



Queria estar em todos os lugares e com todo mundo ao mesmo tempo.
Tinha asas de Mercúrio nos pés, mas essas não a tornava um ser alado.
Eram apenas o resultado de uma vontade latente de liberdade contida em sua carne que de tão aguda se fez brotar na forma  das tais.
Ela   queria  estar comigo, mas como fazer pra conciliar com a  ânsia de liberdade?
Entorpecida, um dia despertou de uma sesta e decidiu que tinha asas maiores e partiu chacoalhando as roupas do varal com o mover de suas potentes asas dorsais.

As asinhas dos pés, agora são seu norte e seus anseios a guiam para o encontro de todas as coisas que quer abraçar.
Sim, ela ainda  me visita de quando em quando.
Eu, por ama-la tanto, a recebo com festa todas as vezes que pousa em meu quintal fazendo alarde e me resigno com a dádiva de saber que dentre tantos nessa imensidão de gente sou o escolhido como o que detém o posto de “porto seguro” e onde se aconchega e pra quem conta suas peripécias e desilusões que vem tatuadas em sua pele queimada de aventuras.
Quando parte, eu sonho com ela e suas histórias e me alegro, pois sei que está indo apenas fazer o que na verdade mais busca, que é encontrar motivos pra voltar.




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Este é um post excepcional, pois ganhei a ilustra acima. 
Até aí seria tudo normal, mas esta foi confeccionada especialmente para este  texto.
Pensa numa pessoa que de tão contente estaria abanando o rabinho, se tivesse um.
Eu!

Ilustra do Mário Roberto de Caruaru - PE , meu querido. Segue abaixo mais trabalhos dele.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Faz de conta que é pra sempre


Eu posso sentir a felicidade de nossas vidas juntas,
tal como sinto a pressão de sua mão presa à minha agora.

E aí eu brinco de “Faz de conta que é pra sempre!”
E planejo viagens com você nas próximas férias
e já prevejo que  será divertido, mesmo que tudo de errado.
E vejo nosso filho com minha boca, seu nariz,
meus olhos e seu jeito imperativo e moleque
e entendo o quão ele será divertido e apaixonante.

E aí eu brinco de “Faz de conta que é pra sempre!”
E visualizo um futuro juntos, com a certeza de que esse brilho
em seus olhos reflete minha ternura e a alegria de te ter pra mim.
 E acredito que por toda minha vida
 vou sentir essa alegria  que sinto toda vez
que te vejo vindo, rindo, me querendo e me amando.

Eu brinco de “Faz de conta que é pra sempre!”
E me sinto protegido por sentir seu zelo e seu carinho
e nem me lembro da possibilidade disso tudo ter um fim
logo após eu me virar e despertar.


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Foto gentilmente  enviada por Ricardo Cosmo de Londrina PR, mais trabalhos do Ricardo no link abaixo: