segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Ele




O encontrei no cantinho do muro, ali no gramado perto da calçada que lhe servia de berço de agonias.
Só  movimentava os olhos perdidos em súplicas indulgentes.
Bem, mas bem lá no fundo um brilho de esperança. Que só eu vi.
Em que? Não sei. Nem ele sabia.
Talvez esperasse que alguém o salvasse ou que simplesmente o deixasse ali quieto atrelado à vergonha de ser o que era.
Mas eu o vi. Como se não bastasse, o acolhi.
No fundo já vislumbrava meu futuro, mas ignorei como quem abandona uma dieta.
Cuidei, alimentei, acariciei e ele cresceu e corou.
De seu corpo que jazia no breu resplandeceu luz e pode então correr pelas ruas, sorrindo e saltando.
Quem o via, à princípio não o reconhecia.
Seu sorriso  saciava os olhares ávidos e seus movimentos languidos enebriavam desavisados.
Do rosto melancólico não se via nada. Tinha agora um ar fulgente e movimentos viscosos e escorregadios.
Balbuciou palavras desconexas, mas logo eloqueceu meus dias e eu que não sorria, sorri.
Foi aí que começou a falar de si.
Parecia piada. Pudera eu de novo cometer um erro tão recorrente?
Matei-o com a frieza de uma criança que esmaga uma formiga  no jardim.
Pus a faca no chão e fui pro balanço da mangueira. Só lá eu tinha pensamentos puros.


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Foto de Lucas Dias. Mais trabalhos dele aqui: https://www.facebook.com/lucaskdias/photos_albums

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Você não vai acreditar


Adivinha?
Você não vai acreditar:
Não preciso mais me vilipendiar,
Não preciso girar ao seu redor.
Agora tenho outros heróis.

Acredita que percebi 
Que existem muitos outros ares?
Outras marcas de vinho,
Outros mares a serem navegados.
Que posso fumar, se eu quiser.
Posso imaginar todas as minhas fantasias
E se eu quiser, eu posso por em prática.

Adivinha?
Você não vai acreditar:
Não preciso mais me submeter.
Não preciso mais fazer nada que eu não queira.
Agora tenho outros planos.

Acredita que percebi 
Que existem muitas outras oportunidades?
Outras marcas de margarina.
Outras formas de ver uma mesma coisa.
Que posso te ligar, se eu quiser.
Posso refazer minha história
E se eu quiser, você pode estar nela.

Você não vai acreditar:
Percebi que eu sou uma pessoa e você é uma outra.
Olha que incrível!
E que te amo sim, mas o suficiente.

Foto extraída do ensaio para a LIBIDO de Nathalie Gingold 

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Mais do mesmo.


    Com a testa colada na vidraça, ele tinha uma visão distorcida e colorida em forma de borrões do que deveria ser a cidade sendo banhada pela chuva que despencava. Seria bonito, se não fosse trágico. Não para mim, mas pra ele que estava sentindo muita pena de si mesmo. Fraco que é, quis chorar, mas nem pra isso serviu.
     Eu que por infelicidade sou obrigado a acompanhá-lo e vejo e sei tudo que ele faz, substituí a pena que eu sentia pelo tédio. Não porque eu quis assim, mas assim se fez.
     Sua respiração embaçara todo o vidro. Fez uma carinha alegre com o dedo. Que clichê! E ainda tentou plagiar o assovio de “Doce Solidão”. Se despediu da janela e foi deitar. Menos mal, assim me dá uma trégua dessa novela mal escrita.
     Alá, ta deitado segurando o celular, aposto que quer mandar uma mensagem. Mas não vai não. Faz isso toda noite, o covarde.
     Ta discando. Olha! To bege!
    A coisa toda é que ele não namora mais uma garota aí. Ele não sabe, mas mesmo com toda sua insignificância, merecia algo melhor que aquelazinha. Porque ele pode ser tolo e chato, mas é bonzinho. Percebeu aí o problema né? Se fodeu tanto, mas tanto, com a sirigaita que chegaria a me causar pena se não me desse sono.
     A história dele não é diferente de nenhuma outra história de amor não correspondido, é apenas mais uma e é por isso que me cansou. Ter que narrar isso pra você agora é humilhante. Eu poderia estar contando algo cheio de emoção, aventura. Sei lá, tiros, explosões... mas Arfh! Esse Mané... Queria que pelo menos se envolvesse com álcool ou drogas pra ver se dava mais animação à minha vida e à dele, mas nem antidepressivos ele toma.
     Uma vez ele foi a uma cartomante e pra minha infelicidade já ta previsto: vai ter vida longa. Eu é que quis morrer né? É, cada um tem a sua sina. A minha é essa. A dele é ser esse bosta.
      Meu carma nunca me permitiu ter contato com outros como eu, sendo assim, nunca amei, mas se for pra passar pelas coisas que esse “tiongo” passa... To fora!
     Nossa, mas o papo ta rendendo. Alá... ta “todo sorriso”. Dessa vez ela resolveu dar  graça pra ele. Da até pra ouvir o coraçãozinho dele batendo mais forte. Judiação. O dela também ta descompassado, mas claro que não é por amor. 
     Ele nem imagina que a partir desse momento sua vida mudará pra sempre pois  vai se ligar a um outro coraçãozinho que não é o teu, o dela, nem muito menos o meu porque eu não tenho isso, mas que neste momento já bate e começa a fazer parte desta história. Um dia ele vai saber que não é sangue do seu sangue, mas aí já vai ser tarde. Vai amar pra sempre.
     Quase chega a não ser ilícito, de tão comum, mas com certeza vai deixar esse conto da carochinha do Paraguai mais animado.


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Ilustra que roubei do meu querido Mário Brito. Dê uma olhada em mais alguns excelentes trabalhos dele  AQUI.


domingo, 9 de outubro de 2011

Um dia perfeito.



     A manhã nasceu com um frescor diferente. O dia estava lindo, tudo estava colorido e perfumado, parecia que  não se via um dia tão especial nascer assim há muitos e muitos anos. Mas como tudo estava perfeito demais Natália desconfiou: "tem algo errado!"
    À tarde todos os sinais e alarmes estavam soando, sinos anunciando, trombetas sendo ouvidas por todos os lados e o corpo pressentindo que algo estava pra acontecer.
     E...: Ei-lo. 
    Natália não teve reação. Não soube onde por as mãos. Nem sei se disfarçou bem a cara gritante de "to perdida", mas sobreviveu. Ela não iria dizer nada e não esperava nada em barganha pelo seu silêncio. Mentira!! Esperava sim. Que ele parasse e tudo se resolvesse com uma breve conversa.
      Ele passou, disse "tudo bom", não esperou resposta e foi. 

    Há ocasiões em que o olhar faz o papel de bom locutor e tudo é dito com todos os Fs e Rs. Ali, porém,  não foi o caso, pois como não teve um feedback, vai saber se ele entendeu aquela olhada quase inexpressiva, seguida de duas piscadelas e nada mais... Pra bom entendedor meia palavra basta. Mas .. de que palavra mesmo estamos falando? Enfim, as dúvidas persistem, o vazio de uma conversa que não houve está personificado e tudo ficou do mesmo jeito.
      A coisa que mais acaba com a gente: o "se" ainda reina absoluto. Às vezes falar com o olhar não é um bom negócio, mesmo que ali não fosse a hora nem o lugar pra uma D.R.
    Se isso teve alguma utilidade pra você eu não sei. Nada mudou na minha vida, minha cachorra Norma, ainda ta sem comida e tá fazendo de um tudo pra chamar minha atenção. O lixeiro ja passou e meu lixo ficou. Mas pra Naty, pode crer que o mundo acabou. Ta no quarto com luz apagada e porta trancada. Já tentei ligar. Sua mãe me disse que ela ta com uma enxaqueca de outro mundo. 
    É... é assim mesmo. Pra tudo existe um peso. Cada um lida com as coisas de acordo com suas experiências e com seu histórico. Varia muito de pessoa pra pessoa. É mais ou menos como comer um pastel. Ou não. Mas já pedi pra Dona Marta dizer pra Naty ter calma. Amanhã o dia vai amanhecer com chuva. Deu na TV.




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Foto Gentilmente cedida por  Ricardo Cosmo lá de Londrina. Pra você ver mais fotos dele clique   AQUI.
Valeu Ricardo, adoro seu trabalho. Obrigadão !!

sábado, 27 de agosto de 2011

Partida



E chega a hora de ir embora. Vejo as luzes dos postes da larga avenida vazia passando.
Passam sem pressa e eu já hipnotizado, mas não por elas, nem percebo  a música que ouço.
Caminho de casa? Nem sei, mas o carro vai sozinho.
Neste momento o querer briga com o a real necessidade de voltar à rotina da vida.
E isso todos sabem que não é uma coisa fácil.
Sair do conforto do acalanto é por vezes um nascimento, com toda sua dor e luz que ele traz.
Com vontade avessa à que tenho de ir, imagino a volta e toda a delícia que ela guarda.
Respirar agora é diferente: é só pra sobreviver.
De tudo resta a fadiga, mas esta é um retrato colorido em 3D e com cheiro do que posso chamar de muito bom.
E o muito bom não depende de mim nem de você, mas do que fazemos com o que já tem um enorme potencial.
Carrego comigo a lembrança de você contrastando com o lençol, do beijo que achei que seria mais um e se revelou relevante, do abraço forte que me fez menino e do olhar que me falou mais do que todas as bobagens que te disse.

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E esta foto linda aí de cima é da fotógrafa riopretense. Nathy Silva.


Mais fotos da Nathy AQUI

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A Dívida.




Eu, romântico incorrigível, tinha pra mim que precisava da "bonita" mais que tudo nessa vida.
Agarrei fé no santo casamenteiro e clamei com vela acesa, joelho no chão e mãos apertadas num gesto de súplica...
No dia  em que passou a ser o primeiro dia do resto de minha vida ela usava o perfume que me enfeitiçava, o esmalte clarinho que amo e pra ferrar com tudo passou com a amiga cantarolando a canção que logo iria se tornar a “nossa música”.
Me endividei com o santo, mas nem precisava. Depois soube que  ela, travessa que é, fez tudo de propósito: o encontro, a fita no cabelo, a tatuagem à mostra e o sorriso de canto só na hora que eu já quase não o percebia ao passar por mim.
Sacanagem ! É natural que iria ficar doente de amor. 
É, mas agora to endividado com o santo à toa né?
Tudo bem que ela tá na minha  há 2 anos, sete meses e oito dias, mas é o mesmo tempo que este viciado que vos dirige a palavra tá  sem tomar Coca Cola.  
Mas ta acabando. Três anos voa...
Tá, é mentira! 

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Foto delicadamente surrupiada de Nathalie Gingold  

Proteção



Seu leite com chocolate já ta no microondas.
Levanta. O dia grita por nós e esse chamado a gente não pode ignorar. É um sina. Tem um infinito azul esperando por nós depois deste cobertor vermelho.
Eu sei... Eu sei que o mundo é uma tempestade eterna e encará-la da medo...
Mas toma minha mão. Não é muita coisa, mas eu aperto forte na hora do pavor.
Se tudo estiver muito ruim, pra você sentir que não está sozinho,  lembra da canção que cantei baixinho no seu ouvido. 
Assim, vai lembrar que como uma onda que vai e vem, estarei pensando em você hora sim, hora não, mas uma coisa será constante: minha espera por sua volta.
Toma. Leva um beijo e segura nele com força quando sentir saudades. O teu já tá aqui dentro.
Agora vai.

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Foto by minha pessoa mesmo. =] 

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Se enamora.


Quando alguém passa a mão em frente seu rosto e você volta daquele mundo que só você sabe onde era.
Se alguns trechos de músicas descrevem exatamente sua atual fase de vida.
Se quando você acorda a primeira coisa que se lembra é ele.
Se você se imagina fazendo as maiores peripécias pra impressioná-lo (e graças a Deus não tem coragem).
Se você já foi ver se o seu de ar combina com o dele de terra e viu que não, mas que o ascendente sim.
Se você se produziu, ta se achando incrível e queria muito que ele te visse.
Mandou mensagem de boa noite, já mandou de bom dia e ta em desespero aguardando resposta.
Não vê defeito quase que nenhum e os que vê, acha perfeitamente suportáveis ou que com o tempo você vai educá-lo e tudo será perfeito.
Perde muito tempo vendo as fotos dele do Facebook, mesmo já tendo copiado a maioria pra uma pastinha no seu note.
Não entende umas coisas que ele diz, mas balança a cabeça como se tivesse assimilado tudo e o acha o cara mais inteligente que já te deu graça em toda sua vida.
Já juntou seus sobre nomes pra ver como ficam juntos.
Não marca nada com ninguém sem antes saber se haverá programação com ele.
Enfim, se você é uma ilha cercada dele por todos os lados.
Sinto muito, você não cumpriu a promessa que fez de nunca mais se apaixonar por alguém.
E se a sorte lhe sorrir, amém.
Se não, você jura de pés juntos que nunca mais confiará e amará alguém novamente e depois quebra a promessa de novo se for preciso. Que que tem?


"Roubei" essa ilustra do Mário Roberto de Caruaru - PE  que agora ta morando mais pertinho , no ABC Paulista.
 Segue abaixo mais trabalhos dele.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Pífia


Chega fora de hora com cara de quem não quer nada.
Vejo seus ralos pelos contra a luz e a aura dourada que brilha marcando sua silueta me remete a algo tão sagrado que quase chego a ouvir Bach.
Me observa ora de frente, ora de canto de olho, com um sorriso martelado na cara que me desconcerta.
Não entendo o motivo da graça, mas permaneço ali à disposição.
Ri de minha falta de jeito e com seu silêncio cínico, me faz enredar em meu próprio embaraço quando disparo a tagarelar coisas desconexas na tentativa de nem sei o quê.
Perdida nesse transe, me coage e me permito ser o que me ordena sem palavra alguma sair de sua boca. 
Por fim, cálido, me beija e carinhosamente me chama de vadia.
Vilipendiada, humilhada e feliz, finjo que adormeço e o ouço ir embora com a promessa intrínseca de uma  volta e com a súplica por minha espera.

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A foto acima é minha. 

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Quanto?



Oi... Olha... é... Desculpa se eu menti quando disse que seria seu pra sempre?
É que esse lance de me dividir com alguém eu não assimilo muito bem não. Sabe?
É...acho que  menti sim quando disse que eu era seu.
E ainda mais pra sempre. Vishi! Pra sempre é muito tempo.
Eu até acreditava que dizia a verdade, mas as coisas não são bem assim.
Eu sou só meu e você é só seu e ninguém é de ninguém. Essa é a máxima.
Eu até poderia ser seu até aqui ó. Daqui pra lá... Bom, daqui pra lá eu sou só meu e ninguém tasca.
Pra falar a verdade eu não estou muito satisfeito com o pedaço de você que você  me deu. Acho que eu até que merecia mais...
Sabe como é, quando se trata de o que me é oferecido sou ganancioso, quero mais, muito mais. É da minha criação.
Só que eu dou de mim o tanto que eu quiser e o tanto que eu achar que a pessoa merece.
Vai do dia, do humor, do tanto de você que você me dá.
Tem dia que me dou mais que a quota estimada, mas aí é por minha conta e risco, faço uma graça, se é que podemos dizer assim. Jogo verde pra ver se ganho uns pedacinhos seus a mais.
Na verdade é tudo um jogo.
Eu sei que você acha que o tanto que eu te dou de mim é insuficiente. Pode até ser.
Mas cada um tem o tanto de mim que eu acho que merece. E pelas minhas regras não é todo mundo que sabe jogar não.
Eu ainda não sei bem quem perde ou se alguém ganha, mas isso pra mim não importa.
Agora você me dá licença que vou ali brincar sozinho de ser de alguém.

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Foto gentilmente cedida por Eduado R. Maciel lá de Porto Alegre.
As fotos dele são incríveis! 
Para ver mais trabalhos visite o blog http://durmaciel.com/ 

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Cutâneo.


Dentro de sua boca pulsava um músculo resignado que batia por carma e não por vontade de viver.
Abriu lentamente os olhos e focando-o, viu-a com seus cabelos cheirosos, respirando profundamente sob o edredom.
A luz amarelada que entrou pela janela e que mudou a tonalidade da parede e dos móveis denunciava que o dia havia se libertado da noite.
O sol porém, não levou o frio, o  que não impediu que ele se percebesse suado.
A empurrou para longe de si sem ser rude e foi fumar na janela, olhando o trânsito que começava a escorrer pelas ruas frenéticas.
Estava atônito. Sentiu fome. Bebeu o misto de whisky e água que restara no fundo do copo.
Se voltou à cama e a viu sob a luz da janela tatuando seus contornos e saliências, sem lhe despertar qualquer emoção.
Quem era ela? De onde viera? O que ele estava fazendo ali com alguém que não significava nada?
Acordou-a, pediu que se vestisse e a ajudou com a tarefa de modo carinhoso e meigo. 
Ela sonolenta, consentiu e saiu tentando não pisar em nenhuma garrafa, copo, cinzeiro ou qualquer roupa ou objeto espalhado pelo chão do quarto barato do hotel onde estavam. Ela cerrou a porta insinuando um sorriso doce onde se lia: “te vejo em breve”.
Seus passos se perderam pelo longo corredor até que se ouviu o ruído do elevador.
Foi ao banheiro. Se encarou no espelho por um tempo suficiente pra pensar em sua vida, contou os fio brancos, avaliou seu porte físico e insatisfeito com tudo voltou à janela. Fechou um pouco a cortina e cheirou o que restara da noitada.
Que hora seria aquela? Ligou o celular pra saber e várias mensagens e chamadas perdidas pularam em sua tela.
Selecionou a última chamada sem se importar em verificar nenhuma e após alguns instantes de reflexão, chamou.
Uma voz masculina, num tom que fundia melancolia, indignação, carinho e alívio  perguntou:
“Amor, de novo? Onde você tá?“
“Oi, querido. Já to indo pra casa. Passo e compro pão?”

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Mais uma vez o Mário Roberto de Caruaru - PE me salvando com seus trampos gráficos.
 Segue abaixo mais trabalhos dele.


sábado, 27 de novembro de 2010

Amor Antigo


Eu estava guardado no fundo da gaveta, na pasta de fotos, no perfume, na canção chamada de “nossa música”, enfim, num linear de tempo e espaço em que a mais tênue fagulha me faria explodir como um vulcão que dormia esquecido, porém pronto pra devastar novamente sua vida, seu novo romance e macular a sua alva paz.
Não que eu queira isso, mas é assim que as coisas funcionam.
Eu sou o Amor. Só que como meu tempo já passou, agora sou Amor Antigo...e sim, eu sou perigoso.  
Mas nem sempre represento ameaça, algumas vezes me transformo em amizade, em outras desprezo e quase que sempre em algo inacabado que precisa de um desfecho diferente, mesmo que o mesmo, só que pintado de outra cor.
Bom, você sabia onde não ir, onde não mexer, o que não ouvir, com quem não falar...
Mas como você é só esse monte de carne fraca. Deu no que deu.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Asas



Queria estar em todos os lugares e com todo mundo ao mesmo tempo.
Tinha asas de Mercúrio nos pés, mas essas não a tornava um ser alado.
Eram apenas o resultado de uma vontade latente de liberdade contida em sua carne que de tão aguda se fez brotar na forma  das tais.
Ela   queria  estar comigo, mas como fazer pra conciliar com a  ânsia de liberdade?
Entorpecida, um dia despertou de uma sesta e decidiu que tinha asas maiores e partiu chacoalhando as roupas do varal com o mover de suas potentes asas dorsais.

As asinhas dos pés, agora são seu norte e seus anseios a guiam para o encontro de todas as coisas que quer abraçar.
Sim, ela ainda  me visita de quando em quando.
Eu, por ama-la tanto, a recebo com festa todas as vezes que pousa em meu quintal fazendo alarde e me resigno com a dádiva de saber que dentre tantos nessa imensidão de gente sou o escolhido como o que detém o posto de “porto seguro” e onde se aconchega e pra quem conta suas peripécias e desilusões que vem tatuadas em sua pele queimada de aventuras.
Quando parte, eu sonho com ela e suas histórias e me alegro, pois sei que está indo apenas fazer o que na verdade mais busca, que é encontrar motivos pra voltar.




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Este é um post excepcional, pois ganhei a ilustra acima. 
Até aí seria tudo normal, mas esta foi confeccionada especialmente para este  texto.
Pensa numa pessoa que de tão contente estaria abanando o rabinho, se tivesse um.
Eu!

Ilustra do Mário Roberto de Caruaru - PE , meu querido. Segue abaixo mais trabalhos dele.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Faz de conta que é pra sempre


Eu posso sentir a felicidade de nossas vidas juntas,
tal como sinto a pressão de sua mão presa à minha agora.

E aí eu brinco de “Faz de conta que é pra sempre!”
E planejo viagens com você nas próximas férias
e já prevejo que  será divertido, mesmo que tudo de errado.
E vejo nosso filho com minha boca, seu nariz,
meus olhos e seu jeito imperativo e moleque
e entendo o quão ele será divertido e apaixonante.

E aí eu brinco de “Faz de conta que é pra sempre!”
E visualizo um futuro juntos, com a certeza de que esse brilho
em seus olhos reflete minha ternura e a alegria de te ter pra mim.
 E acredito que por toda minha vida
 vou sentir essa alegria  que sinto toda vez
que te vejo vindo, rindo, me querendo e me amando.

Eu brinco de “Faz de conta que é pra sempre!”
E me sinto protegido por sentir seu zelo e seu carinho
e nem me lembro da possibilidade disso tudo ter um fim
logo após eu me virar e despertar.


*** ***** ***

Foto gentilmente  enviada por Ricardo Cosmo de Londrina PR, mais trabalhos do Ricardo no link abaixo:


terça-feira, 24 de agosto de 2010

Retratos



O dia amanheceu com um cheirinho novo, porém com nuances já conhecidas por muito naquela manhã de sábado.
O “acampamento” foi montado bem no meio de um canteiro no antigo “shopping azul” e mal sabíamos das aventuras que teríamos a seguir.
Os primeiro dias de captação de imagens para o curta “Retratos” de Bia Leles, foram debaixo de um sol forte e um  céu azul, lindo que nos proporcionaram  marcas de camisetas e imagens que superaram expectativas.
O legal foi que passar tantas horas no meio de uma praça com um fluxo tão grande de moradores de rua, transeuntes, “solícitos”, artistas, cantores de rap e curiosos, pode crer que serviu pra nos abrir os olhos pra uma realidade que quem passa rapidinho não imagina. Isso não tem preço e fica meio que como uma sementinha. 
Como isso vai germinar na cabeça de cada um é um mistério.
Mas dentre outras coisa, já descobrimos que alguns moradores de rua tem celular e falam horrores.  
Que somos todos um bando de viados e sapatões (um atrás do outro, mesmo quem é casado).
Que nossa equipe adora banana e que a casca também é comestível. Fita adesiva também.
Que comer marmitex na praça sentadinho no chão não mata ninguém e nem é tão ruim assim...
Protagonistas são deliciosos.
Causamos vergonha de ser brasileiro em algumas pessoas. Aff!
Violão é uma coisa que relaxa a gente! 
Figurante não é uma coisa fácil de se arrumar.
Margarida é retrô e não se acha mais. Aliás, a Saga em Busca da Margarida Perdida pelo visto terá capítulos sensacionais durante os próximos dias.
Insanidades à parte, sempre estávamos, ora esperando o fim da captação com os balões com gás hélio só pra fazer voz fininha, ora tentando fazer um transeunte ou outro circular, pois queriam fazer parte do elenco, da produção ou da atmosfera divertida.
Enfim, fazer cinema sem incentivo, sem dinheiro, só com a cara e a coragem da trabalho,  mas êêêh, coisa boa!
Ver o filme surgindo a cada captação, cada detalhe discutido, cada insegurança sendo superada já é pagamento que nos dá a sensação de estarmos devendo troco.

*****   ***   *****

Foto do Fotógrafo Luiz Aureo. 


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Roletatividade.



Você me deu a mão e saímos correndo e gritando pra pegar impulso.
Acreditamos na capacidade de nossas asas e alçamos vôo.
Como pássaros brincamos de “ser livres”.
Te levei a lugares onde você nunca havia visitado e te mostrei o meu mundo.
Você se deu o direito de ficar doente de paixão e se mostrou sem medo.
Pedi para que não mentisse. Ou que mentisse, se isso fosse conveniente.
Liberto de pudores te aceitei.
Conheci seus mais “pejoráveis” adjetivos e até me apaixonei por alguns deles.
Te conduzi numa dança só minha e você se soltou. Não se importou com os olhares desejosos, ciumentos, invejosos e desdenhosos.
Fomos nós mesmos, como lhe propus e vivemos intensamente aquele efêmero instante.
Mas... a magia acabou quando sem a aura do tesão, vi tudo aquilo sujo, feio e profano que se esparramava e gritava à minha frente.
Você assim, se tornou "mais um".
Eu te ligo.
Próximo!

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Ilustra gentilmente cedida pelo meu xará Walmir Orlandeli

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Quero ser um pouquinho seu.



Quero ser um pouquinho seu.

É... Sem a pretensão de ser por toda a vida de uma estrela.

Não quero desvendar seus mistérios. 

Suas feiúras não me interessam, 

aquelas que se percebem com o tempo... 

Muito menos as sua nuances adoráveis, 

Essas, podem ser difíceis de esquecer e de ficar sem. 

Então, melhor mesmo é nem saber que elas existem.



Quero ser um pouquinho seu.

Não é por muito tempo não... 

Só mesmo pelo tempo suficiente pra ter saudade depois. 

Não quero que veja o quanto sou mau, 

fedido, mau-humorado e egoísta.

Quero somente que conheça o quanto sou meigo, 

romântico e carinhoso. 

Como me visto bem e o quanto sou gentil.



Quero ser um pouquinho seu.

Esta florzinha que te dou agora tem seu tempo.

E não precisamos

muito mais que isso:

sermos um do outro. 

*** ***** ***

Foto "furtada" da Mona Luizon


quinta-feira, 17 de junho de 2010

O Balão Amarelo.

Depois de esperar meia hora pela “próxima brisa”, lá se foi meu balão amarelo a experimentar a liberdade de voar. Tinha desenhado uma carinha feliz e preso a ele bailava uma fita azul.

De lá de cima, beijando as nuvens e se requebrando ao sabor do vento, deu bom dia às sementes de dentes de leão, às pipas desafiadoras e brincou de flutuar com urubus graciosos.

Passou por mim tão contente que ao me girar rápido ainda consegui ouvi seu riso, mesmo de longe.

A favor do vento, rodopiou e se encheu de perfumes que eu não conheço.

Viu a Terra com cores e tons que eu não imaginava existir.

Me contou que teve medo, mas foi levado carinhosamente por milhões de mãos a mergulhar num céu que não era de brigadeiro, mas era digno de qualquer autoridade.

Abraçado pelo calor quente de uma tarde de sol, com a claridade que não ofusca nada e sim, torna nítida cada cor e toda forma, quase viu as verdades escondidas por trás das súplicas que subiam aos santos, os quais acenavam e o desejavam “boa viagem!”.

Seguiu seu itinerário, rio e se divertiu com as amizades que fez e com tudo que conheceu e aprendeu.

Mas como um pirulito a aventura teve fim.

Ele voltou. Me contou essas e muitas outras peripécias e me incumbiu de retransmiti-las.

E agora, cá estou eu.

Prazer! Sucursal de quem vive e sabe viver.

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Foto roubada descaradamente de Gerson Rossi. rsrs



sábado, 22 de maio de 2010

Supercine.

Sei lá. Tem dia que a gente não quer nada.

Mas talvez um colinho.

Um beijo nos olhos.

Uma canção murmurada no ouvido.

Tá, to carente!

Vou comprar um cachorro.

Pelo menos ele me lambe.

oooooO0Oooooo

Foto delicadamente furtada de Gustavo Lopes Castro. http://www.flickr.com/photos/lopescastro/


quinta-feira, 13 de maio de 2010

Ctrl C / Ctrl V dos Dragões - Compras.

madeira. diz:

*VÁÁÁUUUOOOOOOO

=)....Valmir(8) diz:

*nhoooooooooooooo

*bom dia

*to sodade de voceeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee

*voltaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

madeira. diz:

*to voltandoooo jaja...

*sonhei com vc essa noite

*NUNCA PASSEI TANTA RAIVA NUM SONHO SÓ

=)....Valmir(8) diz:

*hhuhauhauha

madeira. diz:

*a gnt tava no riopretoshopping pra comprar umas coisas pq ia ter rango no FHHHEEERR...

=)....Valmir(8) diz:

*hmm

*:P

madeira. diz:

*eu todo preocupado em saber as coisas que precisavam, pq o Fer tinha passado a lista pra vc

*e vc tava UMA DESGRAÇA DUM MULEQUINHO DE 4/7 ANOS

=)....Valmir(8) diz:

*ixi já to imaginando....

madeira. diz:

*saia correndo

*se escondia de mim

*fazia eu encher o carrinho com umas coisa nada a ver...

=)....Valmir(8) diz:

*huahuahaa

*ce num me bateu?

*aa mas eu batia tanto!!!

madeira. diz:

*não te alcançava...

=)....Valmir(8) diz:

*é q comprei tênis novo....

*por isso!

madeira. diz:

*aaihh, comprei 4 jeans novos.. agora preciso de outro tênis

*só tenho o vermelhinho. tadinho di eu

=)....Valmir(8) diz:

*comprou 4 tênis e ta só com o vermelhinho? (!!!)

*aaaaaaaaaaaaaaah “dins”

*li errado..

* té parece....só o vermelhinho...

*confundi pq também acaba com "s"

*leitura dinâmica às vezes é phoda!

madeira. diz:

*,

*,

*,

=)....Valmir(8) diz:

*?

madeira. diz:

*DERRUBEI LEITE NO “TECRADO”

=)....Valmir(8) diz:

*aff

madeira. diz:

*tudo grudandoooo